O que é a Psicanálise?

 A psicanálise é um tratamento psicoterapêutico profundo e intensivo dirigido ao alívio do sofrimento psicológico, ao desenvolvimento da personalidade e ao autoconhecimento. Algumas pessoas comparam a psicanálise a um curso avançado no qual são ao mesmo tempo elas próprias investigadoras e o objeto de investigação.

 Os conflitos psicológicos por detrás das dificuldades no amor, no trabalho e nas tarefas normais da vida quotidiana estão frequentemente ligados à experiência da ansiedade e da depressão. A raiz destes problemas é frequentemente mais profunda que aquilo que conseguimos apreender, motivo pelo qual eles se mostram irresolúveis sem psicoterapia. O psicanalista é alguém extensivamente treinado e dotado de conhecimentos, bem como de técnicas rigorosas, destinadas a aceder e trabalhar precisamente as raízes do sofrimento psíquico, independentemente da forma como este se expressa (o sintoma ou sintomas).

 A disciplina da psicanálise está intimamente ligada com a descoberta e a formulação das leis sobre a função do sistema mental. Os desenvolvimentos contínuos da psicanálise conduziram ás suas três distintas áreas de foco:

    - O desenvolvimento da mente e a influência das experiências precoces nos estados mentais do adulto;

   - A natureza e o papel dos fenómenos mentais inconscientes

   - A teoria e prática do tratamento psicanalítico, particularmente da transferência e da contratransferência

 Mais concretamente a psicanálise realça a ligação íntima entre, por um lado, a forma como as emoções de uma criança são geridas pelos seus cuidadores no principio da vida e, por outro lado, a percepção pessoal do mundo, as atitudes e os comportamentos do adulto em que essa criança se irá converter. Paralelamente é também através da psicanálise que se constrói todo o entendimento da existência e da complexidade do inconsciente humano, bem como o seu papel preponderante na saúde e na qualidade de vida de qualquer pessoa.

 Em psicanálise a relação entre paciente e analista é também particularmente importante. Determinados problemas e conflitos pessoais surgem muitas vezes no contexto da relação entre paciente e analista, sendo revividos ou reencenados com a figura do psicanalista (na realidade ou na fantasia). É algo que é esperado em psicanálise, fenómeno comummente designado em psicanálise por transferência. A relação de confiança que se constrói ao longo do tempo entre analista e paciente deverá facilitar a expressão destes movimentos em sessão, bem como ajudar à reflexão sobre os mesmos e facilitar a sua resolução. A atenção e o interesse do analista, a confiança e a regularidade nas sessões, bem como a sintonia e a empatia são aspetos intimamente ligados ao sucesso de uma psicanálise. São eles que formam a base de apoio para que o paciente se possa debruçar sobre si mesmo com a confiança de que não se irá perder. Ou mesmo que se perca permanece a confiança de que estará lá sempre alguém que nesses momentos será como que bússola e farol.

 Contrariamente ao estereótipo, o psicanalista fala, responde, faz questões e oferece insights.

 

 Como funciona?

 A psicanálise é uma cura pela palavra. Em psicanálise tudo pode ser falado, contrariamente ao que acontece fora do espaço do consultório, onde quase tudo pode ser falado.

 A regra fundamental é que ao longo da sessão o paciente possa falar de tudo o que lhe surja sem restrições, como considerações de contexto, decência, sentimentos de culpa ou vergonha, ou outras objeções. Este exercício é suficiente para colocar em marcha o processo psicanalítico, que irá ser facilitado pelo analista. É neste contexto que surgem consequentemente os processos da transferência.

 O paciente deita-se confortavelmente no divã, falando sobre o que achar importante ou o que lhe surgir em mente, sem ser distraído pela imagem do analista, que usualmente se senta por detrás do divã.

 Quando nada se parece passar ao nível do pensamento consciente, falar sobre os sonhos pode, mediante posterior interpretação, trazer ao de cima informações e preocupações centrais da vida do paciente, quer digam respeito ao presente, ao passado, às expectativas futuras ou tudo isto em simultâneo.

O paciente é também muitas vezes encorajado a poder ir falando, caso se sinta confortável, sobre os seus sentimentos em relação ao analista, o que se prende com a dimensão já descrita da transferência. O paciente pode por exemplo sentir que o analista está a ser demasiado crítico com ele. Após reflexão conjunta com o analista o paciente poderá vir a perceber que de um modo geral é essa a percepção predominante dentro dele face a figuras sentidas como “autoridades”, e que essa percepção é condicionada por situações e expectativas criadas durante a infância.

 O ritmo da psicanálise é ditado pelo próprio paciente que irá tão longo e tão ao fundo das questões quanto se sinta preparado. Por vezes o paciente pode sentir dificuldade em falar sobre um qualquer assunto, ou em ser honesto consigo mesmo. Nesses momentos paciente e analista podem ambos parar e falar sobre os motivos dessa dificuldade.

 Gradualmente este processo irá induzindo transformações psíquicas e tomadas de consciência que implicam modificações internas. Estas traduzem-se por sua vez no alívio do sofrimento psíquico e numa capacidade acrescida para amar e para trabalhar.

 Os estudos demonstram que os benefícios da psicanálise e da psicoterapia psicanalítica não só são duradouros como continuam a surgir e a crescer mesmo depois do fim do tratamento. Tal deve-se ao facto da psicanálise e da psicoterapia psicanalítica colocarem em movimento processos psicológicos que conduzem à mudança contínua, que se mantêm mesmo após o fim da terapia.

A psicanálise é a forma mais intensiva de tratamento psicanalítico, pelo que a frequência semanal de sessões situa-se entre as 3 sessões e as 5 sessões.

 

 A quem se destina?

 A pessoas que sofrem de problemas psicológicos recorrentes impeditivos da experiência da felicidade com os respetivos companheiros, família e amigos, bem como da experiência do sucesso e gratificação no trabalho e nas tarefas normais da vida quotidiana.

 Ansiedade, inibições e depressão são frequentemente expressão de conflitos internos que impactam nas nossas relações, de modo a que quando não são tratados, podem condicionar bastante as escolhas pessoais e profissionais.

 Alguns psicanalistas defendem que estão mais aptos a usufruir em pleno dos benefícios da psicanálise aquelas pessoas que apresentem:

    - Uma boa capacidade de expressão verbal

   - Capacidade de acesso à experiência interna das emoções e de expressão da mesma

   - Capacidade de reflexão

   - Uma atitude orientada para a resolução de problemas

   - Desejo de entender o passado

   - Curiosidade sobre o significado das coisas

   - Capacidade de tolerar e lidar com a vulnerabilidade e com afetos e vivências mais difíceis

   - Capacidade de simultaneamente auto-observar e experienciar

   - Sentido de humor

   - Resiliência debaixo de stress

 O início de uma psicanálise deve implicar sempre a ponderação sobre a motivação pessoal e a capacidade de compromisso financeiro face a um processo que por natureza é bastante intensivo. É também importante poder entender que a psicanálise se foca no íntimo da pessoa, e por tal é provável que em momentos o processo da psicanalíse conduza a sentimentos de tristeza, ansiedade ou irritação, que fazem parte de todo o processo de transformação pessoal e reestruturação da personalidade. Para poderem surgir novas formas de sentir, agir e pensar a vida e as relações, as formas anteriores necessitam ser gradualmente percebidas, desconstruidas e reparadas ou abandonadas.

 

 Qual a duração das sessões?

 Cada sessão tem a duração de 45 minutos

 

 Honorários: 50€/sessão

 

Artigo relacionado: Sobre a duração da Psicoterapia Psicanalítica

 


Marcar consulta